terça-feira, 23 de junho de 2009

Sem Coser, PT fica dividido e rediscute estratégia para 2010

O PT capixaba está partido sobre a declaração do prefeito de Vitória, João Coser (PT), de que não será candidato a governador do Estado em 2010 e de que trabalhará para articular a candidatura do vice-governador, Ricardo Ferraço (PMDB). O anúncio, feito na última quinta-feira para a executiva regional e no último sábado para a sociedade, deflagrou um processo de rediscussão interna sobre os rumos eleitorais do PT daqui para a frente, que terá hoje o primeiro capítulo: no Instituto Martim Lutero, a executiva realiza reunião ampliada para tratar da questão, com representantes das várias correntes partidárias. Internamente, até então, havia uma unanimidade: a pré-candidatura de Coser unificava o partido. A partir de sua manifestação, essa unidade vai por terra.

Parte do PT aprova a decisão de João Coser e o momento em que foi anunciada. Segundo esse raciocínio, a decisão foi correta e realista - por mais bem posicionado que ele hoje pudesse estar e por mais que a militância sonhe em retornar ao Palácio Anchieta. Isso porque, como prefeito, Coser ficaria engessado para se mover como candidato. Sem poder crescer eleitoralmente, não poderia fazer frente à arrancada que Ricardo Ferraço tende a dar, em consequência da superexposição que está recebendo no governo. A melhor estratégia, assim, seria mesmo sair de cena agora, com o passe ainda valorizado no mercado eleitoral. "Ele sai enquanto está forte, o que valoriza o PT. A tendência é que ele diminua, o que, à frente, seria um prejuízo para o PT e para o próprio Coser", diz um dirigente.

Maior erro
Por outro lado, parte do PT entende que não só a decisão foi equivocada como o prefeito se precipitou em torná-la pública. O maior erro não teria sido a "retirada" - considerada legítima -, mas o apoio manifesto com tanta antecedência a outro candidato. Dirigentes não pouparam o prefeito de críticas e expuseram sua insatisfação. "Diferentemente de Coser, não achamos que devemos concluir o processo e já definir o apoio a Ferraço como se fosse o único candidato", avalia a deputada federal Iriny Lopes.

"O PT saiu muito forte das eleições municipais, e o nome de Coser era muito competitivo", lamenta o deputado estadual Cláudio Vereza, que, assim como Iriny, acredita que o apoio a Ferraço não é a melhor opção. Apesar de não o descartar, os dois entendem que o vice não reflete a história do PT.

Já para o subsecretário federal de Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, Coser cometeu um equívoco. "Ele tem direito a não querer ser candidato. Mas não é bom que, desde já, alguém diga que vai apoiar o candidato de outro partido. Isso não ajuda a candidatura de Dilma, porque confunde a militância e abre espaço para o enfraquecimento. Amanhã outra pessoa vai dizer que apoia outro candidato. O PT não deve trabalhar com a lógica de ser caudatário".

As justificativas apresentadas por João Coser

"A partir de hoje (sábado), vou disponibilizar meu prestígio político para ajudar a construir a candidatura de Ricardo dentro e fora do PT. Serei não só um eleitor, mas um articulador"

"Pelas consultas que fizemos, a população de Vitória me apoiaria se fosse candidato, mas não me pede para sair. Sempre disse, na própria campanha, que gostaria de concluir o meu mandato"

"A mesma legitimidade que o PT tem para pleitear o apoio do PMDB a Dilma é a legitimidade que tem o governador para pleitear o nosso apoio a Ferraço"

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