domingo, 21 de junho de 2009

João Coser não será candidato em 2010 e anuncia apoio a Ferraço

João Coser (PT), prefeito de Vitória, comunicou no sábado(20/06), em caráter oficial, que não será candidato ao governo estadual em 2010 - como cogitavam. Mais que isso: disse que, pessoalmente, fará de tudo para ajudar a candidatura do vice-governador, Ricardo Ferraço (PMDB), que já tem a preferência do governador Paulo Hartung (PMDB).

As razões listadas por Coser podem ser divididas em 3 níveis: no plano nacional, o prefeito lembra que todo o foco do PT está na candidatura de Dilma. Por isso, a prioridade do partido é preservar a aliança com o PMDB, como destacaram todos os líderes nacionais que estiveram em Vitória este ano. A contrapartida, no Estado, seria o apoio do PT à candidatura de Ricardo. Segundo Coser, o próprio presidente Lula (PT) pediu a ele e a Hartung que caminhassem juntos na eleição local.

No plano estadual, Coser ressaltou a importância de dar continuidade ao atual projeto de governo, em que o PT está inserido há seis anos por intermédio dele; no plano municipal, o prefeito disse que, pelas consultas que promoveu, a população de Vitória o apoiaria se fosse candidato, mas não gostaria que ele deixasse a administração. "Sempre disse que gostaria de concluir o meu mandato e só deixaria a prefeitura numa condição de quase governador", justificou.

Prestígio

Somando esses fatores, Coser disse que decidiu disponibilizar seu prestígio político para ajudar a construir a candidatura de Ricardo dentro e fora do PT. "Serei não só um eleitor, mas um articulador", resumiu. Essa articulação passará, inclusive, pelo diálogo com o senador Renato Casagrande (PSB) - outro pré-candidato oriundo do mesmo bloco político -, com o intuito de garantir que ele se filie ao projeto encabeçado por Ricardo.

"Eu havia colocado meu nome à disposição se o governador precisasse e se eu tivesse o aval dele e de Lula para continuar esse projeto estadual. Como Hartung identificou um candidato no próprio PMDB, vou trabalhar para que o nome dele seja fortalecido", emendou o prefeito, frisando que fala por si, e não pelo PT. Para tomar a decisão, consolidada na última semana e comunicada ao partido quinta-feira, o petista conversou com dirigentes regionais, nacionais e lideranças de outros partidos.

Coser reconhece que o anúncio vai reorientar os cenários eleitorais e deflagrará um novo ciclo de debates, especialmente dentro do próprio PT.

"Sempre disse que gostaria de concluir o meu mandato de prefeito e que só deixaria a administração de Vitória numa condição de quase governador"

"Nunca disse (no PT) que era candidato. Havia uma ansiedade, pois muitos consideram que temos uma dívida de fazer um bom mandato".

Segundo o presidente estadual do PT, deputado Givaldo Vieira, o partido respeita a decisão de Coser, por compreender os limites e responsabilidades dele como prefeito, apesar da frustração inicial da direção e da militância.

Já a deputada federal Iriny Lopes (PT), que se define como "a mais ardorosa defensora da candidatura de Coser", disse ver a decisão com pesar. Para ela, o projeto representado por Ricardo não retrata com fidelidade o projeto do PT para o Estado. "Há diferenças de visão sobre desenvolvimento regional, prioridades de investimentos, que já estavam postas nos dois mandatos de Hartung".

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